27 de junho de 2014

Descaminhos do meu coração



Os caminhos existem, estão aí. Sobre a terra, sobre o mar ou meio ao céu. Os caminhos são inúmeros, invisíveis, inviáveis e desconexos. O caminho que trilhei, já não é o mesmo de hoje. Agradeço.

Ultimamente tenho agradecido bastante. “Deus te abençoe”,  “Deus te acompanhe” e eu digo: obrigada. Uso esta palavra porque ela sempre cabe. Seja no quadrado, no losango ou retângulo. Esta palavra se veste, se infiltra e nos liga.

A delicadeza das coisas, da sombra, dos dedos entrelaçados eu tenho buscado. As veias do meu pescoço agora não saltam, prefiro uma prece silenciosa ou desdenho disfarçado de cumplicidade. Quero proteção.

Quero proteção de mim, das minhas verdades, dos meus olhos que enxergam mesmo o que não quero ver. Preciso me refugiar, mas não me calar. O silêncio, as mãos, os olhos e as vírgulas falam. Queira escutar, apenas.

Me falo pra quem queira ouvir. Não me forço, não me imponho. É muita energia gasta, muito desperdício de alma. A minha já não agüenta.  Resolvi que, meus dias não precisam de bandeira, o que defendo carrego comigo 24 horas por dia. No meu coração, meu estandarte, minha nação.

Meu coração é o rio que corre em mim. Meu coração é o edifício ruído que conta minha história. Meu coração, minha decadência. Meu coração, minha fortaleza.

Meu coração, tudo que prezo.

Ele pede silêncio, ele pede paz – e paz não é livre de guerra. A guerra existe, travo todo dia. Sem que muito seja percebido, sem que muito seja explicitado.

Meus olhos um pouco mais cinza, meu coração batendo mais lento.  Só eu sei, eu vesti a fantasia de mim e preciso pular meu carnaval.


Ananda Sampaio

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