16 de novembro de 2011

As Ondas - Uma despedida


“Quase nem respiramos, gastos como estamos. Encontramo-nos nessa passiva e exausta disposição de alma em que apenas queremos voltar ao corpo de nossa mãe, do qual fomos apartados. Todo o resto é desagradável, forçado e fatigante”
Virginia Woolf – As Ondas, p.225

Spring- por Vanessa Bell
Vão-se os anéis e ficam os dedos. Vão os amores e fica o coração partido. Parte o que éramos e fica apenas a impressão do que teremos que ser. A vida é uma eterna perda, que nos mobiliza e nos força a retomar, mesmo que a partir de destroços, o novo.

E pode ser que ela como uma mãe nada ordeira, queira apenas nos acostumar a instabilidade do mundo, de uma maneira avessa nos preparar para as eternas despedidas. Que se dissipam e retornam. Como um ciclo vicioso.

E raras vezes nos são proporcionadas oportunidades de reencontro. Mas, tudo já mudou e muito do ficou não é suficiente para formar pontes sólidas – daí a desilusão. A perda de um elo feito por quem éramos e que não pertence mais a quem somos.

Promessas feitas por nossos lábios e quem não correspondem mais a realidade presente. E como um náufrago tentamos resgatar a todo custo, mas não há retorno.Quando voltarmos àquela mesma praia, muito estará mudado.

Inclusive os meus olhos não serão mais os mesmos e meus pés estarão mais cansados. Mas, é sempre bom relembrar, reviver o que está sólida e impassivelmente parado lá atrás. E sem perceber, tudo passa.

A onda vai e quando volta eu já encontrei mais um canto em mim, antes escuro. Onde eu pude me esconder por mais tempo do que o imaginado.  Quando resolvo desabitá-lo, há tantos cantos mais a minha espera...  E ao abrir os olhos, há diante de mim um mar maior do que eu vejo.


Ananda Sampaio***

Um comentário:

Vanessa Souza Moraes disse...

Que bom, mar grande. Tudo, menos o tédio.